Servidores da saúde protestam contra privatização do Hospital Manoel Victorino

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Foto: Carlos Américo Barros

“Se a saúde privatizar, o Estado vai parar!”. Com estas palavras de ordem, servidores do Hospital Manoel Victorino e diretores do Sindsaúde e do Sindimed protestaram contra a privatização da unidade, na manhã desta quarta-feira (28). Os trabalhadores e os sindicalistas ameaçam paralisar as atividades, no próximo dia 10 de setembro, data em que o edital para candidatura das empresas interessadas em assumir a gestão do hospital será aberto.

Com cartazes, faixas e carro de som, os trabalhadores realizaram uma caminhada pelas ruas do bairro de Nazaré, promovendo panfletagem e um apitaço para chamar atenção da população sobre os riscos que a terceirização por Organização Social (OS) representa.

Os trabalhadores e os sindicalistas pediram à Sesab o fim do processo de privatização do Hospital Manoel Victorino e cobraram melhorias das condições de trabalho. A unidade é referência em ortopedia e traumatologia, e é o único hospital de retaguarda nessas especialidades para a rede estadual. A direção do Sindsaúde ressaltou que a privatização poderá acarretar em prejuízos para a população como a redução do número de atendimento.

Eles destacaram que a política de privatização implantada pela Sesab tem demonstrado diversos casos de insucesso. Exemplo disso foi o que ocorreu com o Hospital São Jorge, na Cidade Baixa, terceirizado em 2009 pelas Obras Sociais Irmã Dulce, no valor de R$13,1 milhões. “Após quatro anos, o Estado investiu recursos públicos para reformar as instalações da unidade que estava praticamente paralisada”, denunciou a presidente do Sindsaúde, Inalba Fontenelle.  

A vereadora Aladilce Souza ressaltou ainda que cerca de 50% da rede de hospitais da SESAB já foi privatizada. “Isso não resultou em melhoria. A privatização da saúde não resolve, não qualifica e enfraquece o SUS”, disse. A saída, segundo deixou claro a direção do Sindsaúde, é ampliar o financiamento e qualificar a gestão pública. O orçamento da União destina apenas 3,9% para a Saúde enquanto 47% vai para remuneração de juros da dívida pública. É preciso inverter essa equação como também fazer alterações na Lei de responsabilidade fiscal para garantir o funcionamento do SUS. Saúde tem que ser tratada como direito social, não pode ser objeto de fortalecimento do setor privado. Os governos precisam enfrentar o desafio de fortalecer o SUS e não transferir a responsabilidade e recursos para o setor privado. De acordo com a CF o setor privado pode participar do SUS de forma complementar  e não ser maior do que o segmento público.

Outra preocupação dos servidores do Hospital Manoel Victorino é em relação à insegurança sobre o futuro profissional, uma vez que não há garantia legal nem interesse da empresa privada que vier a assumir o contrato do hospital em mantê-los.

O Sindsaúde vem realizando diversas ações contrárias às privatizações da saúde denunciando a situação aos conselhos Nacional e Estadual de Saúde e ao Ministério Público Estadual, exigindo do governo o fim das privatizações na Saúde e  concurso público já para todas as categorias.

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