Riscos do trabalho em saúde discutidos em seminário

Fotos: João Ubaldo
Melhorar a segurança nos hospitais da rede estadual foi o objetivo do seminário realizado no dia 27 de outubro pelo Sindsaúde-Ba sobre Riscos do Trabalho em Saúde. Casos de agressões em diversos hospitais foram narrados, a exemplo do Hospital Geral do Estado, do Roberto Santos e do Ernesto Simões Filho, como forma de evidenciar a vulnerabilidade a que os trabalhadores estão expostos.
Além das agressões, os servidores denunciaram a falta de apoio dos gestores e até respostas agressivas com os trabalhadores quando estes buscam apoio, caracterizando mais violência institucional.
Como proposta aprovada no evento, será elaborado um relatório com as ocorrências mais comuns, a ser encaminhado às secretarias da Saúde e da Segurança Pública e ao comando da Polícia Militar da Bahia. O documento pedirá que sejam adotadas as providências cabíveis para solucionar os riscos impostos aos trabalhadores da Saúde, muitas vezes confundidos como representação da gestão e culpabilizados pela deficiência do atendimento em função do déficit de pessoal.
Barril de pólvora
O presidente do Sindsaúde, Sílvio Roberto dos Anjos e Silva, enfatizou a gravidade da situação e ponderou que a escalada da violência está “diretamente relacionada ao crescimento populacional e à equivocada e injusta distribuição de renda”. Ele defendeu que é preciso mobilizar, sensibilizar e articular os trabalhadores, na luta por segurança nos locais de trabalho, assim como “repensar ações internas e externas nos espaços laborais, em aliança com demais movimentos sociais e instituições, para a construção tanto de um ambiente de trabalho saudável, quanto de uma sociedade efetivamente justa, democrática e solidária”.
Coordenadora dos debates, a vereadora e diretora da entidade Aladilce Souza classificou como urgente a necessidade de adoção de medidas administrativas pela Secretaria da Saúde (Sesab), em conjunto com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), no sentido de proteger os servidores no exercício das suas atividades. Além disso, defendeu a implantação em todas as unidades do Serviço Ocupacional de Saúde.
“O que se observa nos hospitais é um retrato da violência urbana que está em toda parte, com o agravante dos trabalhadores estarem expostos diretamente a um verdadeiro barril de pólvora, em contato direto, inclusive, com pessoas custodiadas pela polícia”, observou Aladilce. Apesar da existência de postos policiais nas unidades, acrescentou, nem sempre eles contam com efetivo suficiente para dar o suporte necessário aos servidores.
A mesa diretora do seminário foi formada pela capitã Carla Requião Barreto, representando a Polícia Militar; por Cíntia Conceição e Bruno Guimarães, representantes da Sesab; Érica de Menezes, da Comissão de Saúde da OAB-Ba; e Djan Carlos Vasconcelos Alves, do Serviço Médico da Polícia Civil do Estado da Bahia, que representou o coordenador Francisco Chagas.