Mesa debate situação dos trabalhadores e usuários do SUS
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“Momento atual do SUS: a situação dos trabalhadores e a garantia da atenção ao usuário” foi o tema da primeira Mesa Redonda apresentada durante o IX Congresso dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia. Mediada pela diretora do Sindsaúde e vereadora Aladilce Souza, a mesa foi aberta com a apresentação da professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EEUFBA) e vice-presidente da Associação dos Professores Universitários do Estado da Bahia (APUB), Lívia Angeli, que fez um panorama sobre os avanços do SUS, desde a sua criação até os dias de hoje e os principais desafios do sistema.
“Em pouco mais de 25 anos de existência do SUS temos que reconhecer que tivemos avanços, fruto do processo de luta dos trabalhadores e do povo brasileiro. Apesar disso, o SUS que temos hoje ainda não é o SUS que o movimento de reforma sanitária defendeu desde os anos 70 e 80. A gente ainda tem muito o que avançar”, afirmou.
Entre os avanços proporcionados pelo SUS está a conquista da universalidade da assistência à saúde, presente em todos os municípios do Brasil, a descentralização das ações, a ampliação do mercado de trabalho para os profissionais da Saúde e o aumento da participação dos espaços de controle social, com a participação popular. Ela ressaltou, entretanto, que apesar dos avanços, as ações dos SUS ainda não são iguais em todos os lugares do país. Outro ponto negativo foi o aumento dos vínculos precários de trabalho com a expansão das terceirizações.
O diretor do Sindsaúde e membro do Conselho Estadual de Saúde, Sílvio Roberto dos Anjos e Silva, iniciou sua apresentação falando sobre as denúncias e reivindicações dos trabalhadores da Saúde do interior em relação ao tratamento dado pelo Planserv. “Não podemos continuar permitindo o descaso com os trabalhadores do interior, que precisam se deslocar muitos quilômetros de distância para conseguir atendimento. O Planserv não pode se queixar de falta de recurso, porque o desconto é feito no contracheque do trabalhador”, denunciou.
Em sua apresentação, Sílvio fez um balanço de alguns dos compromissos da Sesab com o SUS, como o fortalecimento da atenção básica. Para ele, apesar dos avanços no setor, o governo tem priorizado maiores investimentos na assistência de média e alta complexidade, contemplando empresas privadas e Organizações Sociais que gerenciam diversas unidades hospitalares, através dos processos de privatização e terceirização, que vêm sendo combatidos arduamente pelo Sindsaúde.
Membro do Fórum Interreligioso de Saúde e ex-conselheiro municipal da Saúde, padre Jorge Brito elogiou o modelo do SUS e falou sobre os problemas enfrentados pelos trabalhadores da Saúde e usuários do sistema, por conta da falta de compromisso dos governantes. “O SUS não é o problema, mas existem vários problemas dentro dele. São problemas históricos, capitalistas e também de desinteresse público, porque as coisas só acontecem quando existe boa vontade para se fazer cumprir o que é direito do trabalhador e do usuário”, afirmou.
“O SUS é um plano de saúde público perfeito. Digo isso porque recebo diversas denúncias de vários hospitais privados. Vejo muitos usuários entrando nessas unidades com planos de saúde e lá dentro, quando a situação se complica, são migrados para o SUS porque muitos planos abandonam seus clientes nas horas que mais precisam ”, complementa.
Padre Jorge Brito fez duras críticas à política de privatização implantada pela Sesab. Para o religioso, as parcerias público-privada atendem apenas o interesse do capital privado. Os hospitais que atendem sob esse modelo querem apenas mostrar serviço e qualidade, para continuar sendo beneficiados pelo contrato.
O padre lembrou de um episódio ocorrido há dois anos, quando foi agredido por policiais militares ao tentar atendimento para uma paciente que sofria de pressão alta e foi recusada pelo Hospital do Subúrbio. “O hospital não acolheu a paciente com a desculpa de que os leitos do Pronto Atendimento estavam completos. É muito fácil ganhar título internacional de qualidade rejeitando paciente. Hospital é o Roberto Santos e o HGE. Eles podem estar lotados como for, mas quem chega não sai sem ser atendido”, denunciou.
