Sindsaúde participa de audiência pública sobre saúde mental e precarização do Hospital Afrânio Peixoto
O Sindsaúde, através do presidente Silvo Roberto dos Anjos e Silva e da diretora Mariene Brito, e servidores do Hospital Especializado Afrânio Peixoto participaram de audiência pública na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, na última segunda-feira (17/10), para discutir a efetivação da política de saúde mental no estado e a precarização da unidade.
Também participaram da audiência a promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia, Guiomar Miranda, e a diretora geral do Hospital Afrânio Peixoto, Lígia Matos. A ausência de representantes da coordenação de Saúde Mental da Sesab foi criticada durante o evento.
A diretora da entidade Mariene Brito falou sobre o sucateamneto do SUS na Bahia e as dificuldades enfrentadas pelos servidores diante da falta de valorização profissional e de condições de trabalho. “O SUS na Bahia vem atravessando série crise decorrente de problemas estruturais, mas também relacionada à gestão do Estado. A falta de profissionais tem sido um dos principais entraves do SUS. A ausência do concurso público e a política de privatização implantada pela Sesab têm precarizado os serviços e desvalorizado os trabalhadores que já sofrem com a baixa remuneração, corte de insalubridade e falta de incentivo”, afirmou.
Ela denunciou a precarização e de falta de profissionais do Hospital Afrânio Peixoto, situação que compromete a qualidade dos serviços e vem gerando sobrecarga de trabalho para os trabalhadores.. “O déficit de profissionais no Hospital Afrânio Peixoto é muito grande. Se alguém entrar de férias, tirar licença prêmio ou estiver com atestado médico, os trabalhadores encontram grande dificuldades para cobrir essa lacuna”, pontuou
O presidente do Sindsaúde lembrou que desde o inicio das discussões da reforma psiquiátrica na década de 80 até os dias atuais, pouca coisa avançou. Diante disso, ele destacou que foi iniciado um movimento pela implantação da política de saúde mental no Estado em diversos hospitais, a exemplo do Hospital Mário Leal, em Salvador, e Hospital Lopes Rodrigues, em Feira de Santana.
“Essa audiência é muito importante porque vem provocar um processo para implantação da saúde mental no estado, partindo da situação desses hospitais que, estão sob ameaça de serem fechados”, salientou.
O hospital Afrânio Peixoto, atualmente, presta atendimento ambulatorial a cerca de 4.800 usuários e dispõe de 20 leitos para internação de pacientes em surto. Mas, de acordo com os funcionários, nos últimos anos, a unidade vem sofrendo um processo de precarização como a redução no número de funcionários e o sucateamento do espaço físico.
Durante a audiência ficou definida a realização de um seminário, com data a ser definida, para dar continuidade ao processo de discussão da saúde mental em Vitória da Conquista.