Servidores da Sesab em greve contestam consórcios de Saúde

Servidores da Sesab em greve contestam consórcios de Saúde

Novo modelo em implantação pelo governo foi apresentado em debate promovido

pelo Sindsaúde

 

O novo modelo de assistência à saúde em desenvolvimento na Bahia, após a extinção das Dires, prevendo a instalação de 28 consórcios de saúde e 28 policlínicas nas diversas regiões do estado, foi apresentado na manhã de quarta-feira (5) por representantes do secretário de Saúde do Estado na mesa-redonda “O Momento Atual do SUS na Bahia”, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA.

Atividade da greve dos servidores da Saúde, iniciada dia 17 de julho, o debate serviu para o Sindsaúde-Ba e a categoria debater a reforma, sobretudo por ter sido, como disse Sílvio Roberto dos Anjos e Silva, presidente da entidade, “imposta de cima para baixo, sem qualquer discussão com os trabalhadores nem com os conselhos de Saúde”, referindo-se à extinção das Dires.

Segundo Cristiano Soter, diretor de Atenção Básica da SESAB, o atual projeto em desenvolvimento no SUS na Bahia foi iniciado no governo Wagner e mantido por Rui Costa, “com a intenção de fortalecer a atenção básica”. Sem querer entrar no mérito da reforma administrativa que extinguiu as Dires, disse que o processo de regionalização leva em conta a necessidade de modernização.

E reconheceu que o projeto precisa ser discutido: “Ainda não está pronto e deve ser debatido do ponto de vista dos espaços de gestão, monitoramento e apoio institucional. Um sistema não se implanta só com a gestão, mas com toda a militância da saúde’’.

Maridete Cunha, da Coordenação de Planejamento da SESAB, explicou que os consórcios serão entidades autônomas, de direito público, formadas por seleção pública. A policlínica será o carro-chefe do sistema e o governo, segundo ela, vai “presentear” cada região com uma. A previsão é implantar 10 em 2016, 10 em 2017 e 8 em 2018.

 

Fórum permanente

A vereadora e diretora do sindicato, Aladilce Souza, que coordenou a mesa redonda, sugeriu que os representantes da SESAB levassem aos gestores as críticas e questionamentos da categoria, favorável a um amplo debate sobre o novo sistema. “Esse projeto reforça o modelo curativo de atenção à saúde e vai fortalecer ainda mais a precarização do SUS”, argumentou.

A pesquisadora e auditora Rosana Bezerra fez um diagnóstico do SUS na Bahia e concluiu que o modelo hospitalar continua hegemônico, com déficit de profissionais e sem investimento na saúde e valorização do trabalhador. Ela sugeriu a formação de um Fórum Permanente em Defesa do SUS.

Participaram da mesa do debate, ainda, Lívia Ângeli, do Centro Brasil de Estudos em Saúde-CEBES, que chamou a atenção para a necessidade de retomada da mobilização em torno da Reforma Sanitária no Brasil, iniciada com a Constituição de 1988; e Marcos Sampaio, do Conselho Estadual de Saúde, que convocou a todos a participar das conferências Estadual e Nacional de Saúde, quando o SUS estará em debate nacionalmente. Em apoio à greve falaram também o vereador Hilton Coelho e o presidente da Assufba, Renato Jorge.

Fotos: Carlos Américo