Servidores da Saúde aprovam continuidade da greve

Servidores da Saúde aprovam continuidade da greve

 

Decisão unânime da categoria foi tomada em assembleia concorrida, com delegações do interior e da capital

 

Fotos: Carlos Américo Barros


Em grande assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (24), os servidores estaduais da Saúde aprovaram, por unanimidade, a continuidade da greve da categoria, que completou uma semana. Centenas de trabalhadores da capital e do interior reafirmaram a força do movimento na luta contra o desmonte do Sistema Único da Saúde (SUS) na Bahia.
Durante os pronunciamentos ficou evidente que a insatisfação dos servidores só aumenta com a tentativa de descaracterização do movimento, tanto pela redução da discussão a um único item da pauta de reivindicações, quanto pela alegação de que a motivação foi política. Por sugestão da diretoria do Sindsaúde-Ba, foi aprovada moção de repúdio às declarações à imprensa do secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas, “como forma de mascarar sua incapacidade em responder às reivindicações dos trabalhadores”.
O presidente do Sindsaúde-BA, Silvio Roberto dos Anjos e Silva, parabenizou a união dos servidores, que vem se fortalecendo a cada dia, resistindo às pressões praticadas por gestores e coordenadores das unidades de saúde, como as ameaças do corte do ponto para aqueles que aderiram à greve.
“O movimento vem me deixando cada dia mais fortalecido para dizer ao governador e seu secretariado que estamos respaldados pelos trabalhadores da Saúde  do estado e que não vamos arredar o pé enquanto nossas reivindicações não forem atendidas”, afirmou.
Ele deixou claro que a categoria não abrirá mão de que a consolidação da progressão nos contracheques seja efetivada no mês de agosto e da promoção em outubro; da incorporação da GID aos salários; da carreira para os técnico-administrativos; e da discussão sobre o modelo de assistência na Bahia, “para que o sistema de saúde pública não seja transformado em um grande hospital, como quer o secretário”.
Além disso, ficou claro que a categoria defende o direito da população a ações de vigilância e prevenção, para controle das endemias, política que foi desestruturada com a extinção das Dires.
A diretora Inalba Fontenelle fez um balanço do resultado da reunião entre a entidade, comando de greve e representantes do governo, que não contemplou nenhum ponto da pauta de reivindicação dos trabalhadores. “Não vamos aceitar nenhuma retirada de direitos”, frisou.
Diretora do Sindsaúde e vereadora de Salvador, Aladilce Souza classificou a greve como “um movimento cívico” que teve como estopim o corte do adicional de insalubridade, que já atingiu cerca de 1.500 servidores lotados nas extintas Dires. Segundo ela, a medida foi adotada sem consistência jurídica, com base apenas em uma minuta da Auditoria Geral do Estado, “órgão ligado ao Estado e, portanto, sem nenhuma isenção”.
A greve, ressaltou Aladilce, “foi motivada por uma série de problemas e equívocos que foram se acumulando, desde o governo Wagner até o governo Rui”.
 
 
Calendário da greve
 
Na assembleia foi aprovado, também, o calendário de atividades da greve para a próxima semana:
 
Segunda-feira (27), mobilizações nas diversas unidades;
 
Terça-feira (28), manifestação no Hospital Roberto Santos, a partir das 7h, quando o secretário da Saúde visitará as obras de reforma na unidade;
 
Quarta-feira (29), caminhada do Campo grande à Praça Municipal, a partir das 9h;
 
Quinta-feira (30), assembleia-geral em local e horário a serem confirmados.
 
 
Mobilização no HGE
 
Antes da assembleia da categoria, os servidores do Hospital Geral do Estado (HGE) realizaram uma mobilização em frente à emergência da unidade. A diretoria do Sindsaúde reforçou a pauta de reivindicação da categoria e a importância da união dos trabalhadores no movimento.
A diretora do Sindsaúde-Ba e vereadora de Salvador, Aladilce Souza, elogiou a mobilização no HGE. “Queremos parabenizar os servidores do HGE pela posição corajosa que estão adotando. Sabemos que aqui é uma unidade de emergência e que não podemos parar porque temos pacientes com risco de vida. Mas também sabemos que os que estão aqui na frente fazendo esta manifestação representam o sofrimento dos colegas que estão trabalhando agora nas enfermarias, na emergência e nos demais setores. Este é um momento de união e a saúde é uma só”, disse.
Aladilce chamou atenção sobre a situação dos trabalhadores da unidade que recebem um valor irrisório de auxílio transporte. “Sabemos que os trabalhadores aqui do HGE estão recebendo R$5, R$3 e até mesmo centavos de auxílio transporte. Precisamos reforçar o movimento para rever esta situação”, afirmou.