Profissionais de enfermagem mantêm luta contra ação do CFM

Profissionais de enfermagem mantêm luta contra ação do CFM

 
Decisão foi tomada em audiência pública da Câmara em parceria com Sindsaúde, Seeb e Coren-Ba
Audiência na reitoria ufba - 23-10-17
O compromisso dos profissionais de enfermagem em defesa do SUS foi reafirmado na audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara de Salvador, realizada na manhã desta segunda-feira (23) em parceria com o Sindsaúde-Ba, Coren-Ba, Sindicato dos Enfermeiros (SEEB) e Associação Brasileira de Enfermagem. Durante o evento, que reuniu mais de 400 pessoas na Reitoria da UFBA, foi discutido o processo movido pelo Conselho Federal de Medicina para suspender parcialmente a Política Nacional de Atenção Básica do SUS, alterando as atribuições dos serviços de enfermagem na Atenção Primária à Saúde.
O debate foi dirigido pela vereadora Aladilce Souza, integrante da Comissão de Saúde, diretora do Sindsaúde e enfermeira por formação. Ela deixou claro que a mudança pretendida pelo CFM, limitando o papel dos profissionais da enfermagem na requisição de exames e prescrição de alguns medicamentos, faz parte da política de desmonte do SUS: “Essa medida é irresponsável e vai sobrecarregar ainda mais o sistema, deixando milhares de pessoas sem atendimento na atenção básica”.
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Apesar da liminar dada pela Justiça à ação do CFM ter sido derrubada, os participantes da audiência pública decidiram manter a mobilização já que o processo continua em tramitação. Para Sílvio Roberto dos Anjos e Silva, presidente do Sindsaúde, defender as prerrogativas da enfermagem é proteger a população que depende do SUS. Há mais de 20 anos, segundo ele, esses profissionais têm o direito de solicitar exames, seguindo as orientações protocolares emitidas pelo Ministério da Saúde.
Entre as atribuições dos enfermeiros está, por exemplo, a solicitação de exames para identificação de sífilis, tuberculose, hanseníase, dentre outras doenças graves. No caso da sífilis, que registrou um aumento de ocorrência da ordem de 800% nos últimos meses, como foi informado no debate, a redução do efetivo de profissionais no atendimento eleva o risco de deixar a população ainda mais vulnerável a outras doenças associadas.
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O Sindsaúde-Ba foi representado no evento também pela vice-presidente Tereza Deiró e pela diretora Ivanilda Brito. A mesa da audiência foi composta por Ricardo Queirós, do Cofen; Luíza Castro, do Coren; Tânia Bulcão, da ABRN-Ba; Lúcia Duque, do SEEB; o promotor do MPE Rogério Queiroz e a estudante Helen.
Após os debates, foi realizado um ato público em frente à Reitoria da UFBA, com pronunciamentos em defesa da autonomia da enfermagem, segmento indispensável para a Atenção Básica. Por diversas vezes os manifestantes gritaram palavras de ordem como “Fora Temer” e contra as reformas trabalhista e da Previdência.
 
Novo debate – Em continuidade à discussão sobre o papel dos profissionais de saúde em defesa do SUS, a vereadora Aladilce Souza anunciou a realização de outra audiência pública, dia 31 de outubro, às 9h, no Centro de Cultura da Câmara Municipal.
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