DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: Uma data para reflexão sobre o racismo dissimulado que persiste na sociedade brasileira

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: Uma data para reflexão sobre o racismo dissimulado que persiste na sociedade brasileira

*Artigo do presidente do Sindsaúde-Ba, Sílvio Roberto dos Anjos e Silva
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O racismo no Brasil é resultante de um processo histórico, não sendo declarado, mas dissimulado. No decorrer do tempo tem deixado enormes marcas de opressão, negando direitos dos (as) cidadãos (ãs) afrodescendentes na sociedade, contribuindo fortemente para a destruição de vidas e sonhos, subjugando a maior parte do povo brasileiro. Em Salvador, particularmente, ele se manifesta em cada canto da cidade, apresentando-se sob a forma de exploração e dominação de parcela majoritária da população, mesmo com os avanços conquistados através do movimento negro.
 
O percurso histórico do povo negro no Brasil foi caracterizado  por muita luta, sofrimento e dor. Seus descendentes continuam lutando até os dias atuais. Os(as) negros(as) vieram à força para trabalhar no cultivo da cana-de-açúcar, sob a condição de escravos, sendo que, na atualidade, vêm ocupando os espaços menos qualificados na sociedade. É importante registrar que no continente africano muitos(as) deles(as) eram reis e rainhas, além de deterem conhecimentos sobre variadas ciências.
 
O povo negro se organizou na tentativa de enfrentar os vários tipos de exploração, travando lutas constantes na sociedade, conseguindo atrair não escravizados para a luta contra esse regime. Nesse período ocorreram muitas resistências à  escravidão, sendo que, devido a fatores externos e internos, sem uma explicação convincente até hoje, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Entretanto, na vida dos negros pouca coisa mudou. A lei proclamou a liberdade, porém, não concedeu terra nem proporcionou educação, os dois únicos instrumentos capazes de promover a dignidade humana naquela situação.
 
Os (as) negros (as) sempre foram vistos como “coisas” e não como sujeitos de direitos. São mais de três séculos de escravidão perpetuando até os dias atuais. Uma lei não muda a cultura e os hábitos de um povo e o governo brasileiro fez questão de ignorar a condição humana daquela população de negros e negras, abandonando-os à própria sorte,  sem educação e sem terra.
 
A herança da escravidão foi determinante para que o racismo e a discriminação racial caminhem juntos na cultura e na dinâmica social do país, impossibilitando a todos (as) o acesso a seus direitos e, consequentemente, a uma vida com dignidade.
 
O combate ao racismo, às  desigualdades raciais, de classe e gênero, depende da atitude de todos, exigindo um acompanhamento constante dos segmentos que têm como tarefa a busca de uma sociedade justa, igualitária e desprovida de preconceitos. O combate ao racismo não é uma luta em contraposição à luta de classes, pois as ideologias dominantes utilizam o racismo e as desigualdades sociais como instrumento de opressão, com o objetivo de continuar dominando, por se tratar também de uma luta econômica.
 
É fundamental a organização política do movimento negro, na perspectiva de aprofundar e consolidar os avanços sociais e econômicos, prioritariamente nas áreas de saúde, educação e cultura. Além disso, é preciso construir outras plataformas que contribuam para a superação do racismo, da opressão de gênero e de classes que persistem no Brasil.
 
A luta pela desconstrução do racismo exige um posicionamento firme da sociedade, reafirmando a luta política, pois ainda temos um longo caminho a percorrer para sermos verdadeiramente um País de todos.
 
O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado no Brasil em 20 de novembro, data definida em referência à morte de Zumbi dos Palmares (1695), líder negro de grande destaque na luta pelo fim da escravidão. Foi criado em 2003 e instituído em âmbito nacional através da Lei 12.519, de 10 de novembro de 2011. Além de reverenciar a memória de Zumbi, a data deve ser dedicada à  reflexão sobre a nossa história de luta contra todas as formas de opressão e discriminação.