Com salários atrasados, terceirizados paralisam atividades no Hospital de Juazeiro e compromete atendimento
Os funcionários terceirizados do Hospital Regional de Juazeiro, no norte da Bahia, entraram em greve no dia 15 de janeiro devido ao atraso de salários e da falta de remédios para os pacientes. O problema evidencia ainda mais os riscos da terceirização e privatização da saúde, política que vem sendo implantada, nos últimos anos, pela Secretaria da Saúde do Estado.
Sem realizar concurso público há muitos anos, o órgão vem contratando trabalhadores via empresas terceirizadas para suprir o quadro de servidores. No entanto, estas contratações são marcadas por grande rotatividade de trabalhadores e atrasos nos pagamentos, o que comprometendo o atendimento à população. Todas as privatizações vêm sendo autorizadas de forma intransigente e autoritária pela Sesab, sem a prévia discussão com os servidores, usuários e o Conselho estadual de Saúde, órgão deliberativo do Sistema Único de Saúde (SUS).
O mais recente hospital na mira da terceirização da Sesab é o Octávo Mangabeira, referência no tratamento de doenças pulmonares, como tuberculose, asma, fibrose cística e gripes. A unidade vive uma crise com o desabastecimento de medicamentos e insumos, e o esvaziamento de internações nos últimos meses. O sucateamento do hospital foi uma medida do Governo do Estado para justificar a política de privatização, que há décadas resulta no enfraquecimento do SUS.
Em total ato de desrespeito, o secretário da Saúde Fábio Vilas-Boas descumpriu a resolução nº 16/2016, do Conselho Estadual de Saúde, que prevê a suspensão da privatização do Hospital Especializado Octávio Mangabeira, decidida em reunião ordinária no dia 15 dezembro de 2016. O gestor da Sesab publicou a portaria de nº 078/2016 no Diário Oficial,do dia 24 de janeiro, a publicização da privatização do HEOM através da implantação da gestão via Organização Social.