Seminário discute a mulher na sociedade

Seminário discute a mulher na sociedade

Fotos: Carlos Américo Barros

Fotos: Carlos Américo Barros

Um panorama sobre os desafios das mulheres no mercado de trabalho, política, família, saúde pública, dentre outras áreas, foi a tônica do seminário “A mulher na sociedade atual”, promovido pelo Sindsaúde, através da Diretoria de Assuntos da Mulher, no dia 18 de março, em homenagem ao mês da mulher.  O evento foi realizado no Hotel Sol Victória Marina (Corredor da Vitória) e contou com a participação de servidoras de diversas unidades de saúde e convidados.

“O objetivo do evento é fazer uma reflexão sobre a situação das mulheres e discutir políticas públicas”, afirmou a diretora de Assuntos da Mulher do Sindsaúde, Natalícia Santos da Silva. A abertura do evento foi marcada pela apresentação da cantora Graça Onasilê, primeira cantora do bloco Ilê Ayêque entoou canções que exaltavam a força e beleza feminina.   

A primeira palestrante foi a pesquisadora e professora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher (Neim), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Salete Maria da Silva, que falou sobre o conceito de feminismo, desconstruindo os preconceitos em torno do movimento e destacando a importância da participação dos homens no debate. “O feminismo nunca propôs uma queda de braço entre homens e mulheres. O feminismo é uma teoria política que prega a igualdade, por isso, trazer os homens para o feminismo é ganhar os homens para a democracia de gênero”, avaliou.

A pesquisadora afirmou que ao pensar políticas públicas para mulheres deve-se levar em consideração as diversidades femininas do ponto de vista da orientação sexual, raça, etnia, interesses políticoIMG_9217 copy.jpgs, classe social, religião e geração. Para a palestrante o feminismo Interseccional é importante porque auxilia na organização das pautas das mulheres de acordo com as suas reais necessidades. “Somos múltiplas. As mulheres negras, indígenas, idosas e jovens têm especificidades e demandas que precisam ser contempladas do ponto de vista da política de emprego, da educação, da saúde, por exemplo”, defendeu.

A deputada federal e palestrante Alice Portugal (PCdoB/BA) afirmou que as mulheres estão cada vez mais se destacando no ponto de vista da economia domestica. Segundo ela, em Salvador, 51% dos lares são gerenciados por mulheres.  “Somos a primeira a acordar e as últimas a dormir. Na vida cotidiana a mulher tem uma jornada exaustiva para  melhorar a sua condição, mas ainda somos dois terços dos pobres de todo mundo e um terço dos analfabetos de todo mundo”, ressaltou.

A parlamentar salientou que, apesar das mulheres terem conseguido direito ao voto desde 1932, a presença feminina na política ainda é muito tímida. “O voto ainda é muito encabestrado. O número de mulheres na política ainda é muito pequeno, precisamos mudar isso”, avaliou.

Mulheres da Saúde

IMG_9185 copy.jpgEm sua fala, a diretora do Sindsaúde e vereadora de Salvador, Aladilce Souza, ressaltou a luta história das mulheres na conquista de espaços no mercado de trabalho, destacando as profissionais da área da Saúde, que são maioria na área. A vereadora falou sobre a jornada excessiva e os riscos a quais as mulheres da Saúde estão expostas.

“Somos um conjunto diversificado de profissionais com uma carga horária de trabalho excessiva, submetidas a múltiplos riscos. A mulher trabalhadora da saúde trabalha em dois ou mais empregos e ainda enfrenta uma jornada de trabalho em casa. Tenho certeza que sairemos daqui refletindo a nossa condição no mercado de trabalho”. A parlamentar destacou também os problemas enfrentados no ambiente de trabalho como assédio moral, sexual que precisam ser denunciados e combatidos.

A vice-presidente do Sindsaúde-Ba, Tereza Deiró falou sobre a diferença de tratamento no mercado de trabalho e reiterou a importância do empedramento feminino. “A mulher vem procurando ocupar todos os espaços, mas ainda recebem remuneração inferior para realizar as mesmas funções que os homens. É preciso que a mulher entenda que é na luta por estes espaços, na luta pela igualdade que nos estaremos fazendo uma sociedade mais justa, mais igualitária não nos acomodando com a violência que ainda reina nos lares”, pontuou.

No final do seminário, o presidente do Sindsaúde, Silvio Roberto dos Anjos e Silva assumiu o compromisso de ampliar o debate e levar as discussões para dentro das unidades de saúde. Também participaram do evento a presidente da União Brasileira de Mulheres na Bahia na Bahia, Patrícia Vieira, e integrantes do movimento “Vai ter gorda”, que destaca a importância da valorização da autoestima. O Sindsaúde encerrou o seminário com um coffe break e a entrega de certificados para as trabalhadoras presentes no evento.