Entrevista: Presidente Ivanilda Brito
A recente votação dos 4% de aumento no salário dos Servidores Públicos do Estado da Bahia, mas serve como exemplo dos desafios que o governo já mostra como irá atuar com os servidores públicos da saúde. Seria uma visão mais conservadora, crise da economia ou a não valorização dos servidores públicos? Não se trata de Estado máximo, e nem mínimo, mas de um Estado que invista para melhorar a qualidade de vida de todos e, para isso, passa pela valorização do serviço público.
Essa visão de “mercado” atual – a crise pegou a todos(as), com isso, quais os novos desafios? – Qual o papel do Sindicato? Um novo sindicato? Para conversar nesta edição, a presidente Ivanilda Brito.
1- Embora já se notem diferenças em relação ao governo passado, algumas são semelhantes ou bem mais severas. Qual a expectativa em relação ao Governo do Estado e aos servidores públicos do Estado e os desafios iniciais?
Há sim uma pequena diferença em relação ao governo anterior quando se trata de discutir as pautas dos trabalhadores. Contudo, nosso desafio é fazer o governo instalar as mesas de negociação, a central e as setoriais, pois é de grande relevância tê-las em funcionamento. Por isso que defendo que uma unidade é importante e vale lembrar que “nenhum governo acorda e diz amo o servidor(a) público”, temos que nos unir e defender nossos direitos.
2- Muitos escrevem nas redes sociais que o sindicato está sendo mandado pelo Governo, afinal, Governo do Estado da Bahia já se reuniu com representantes sindicais… (Sindsaúde Ba)…
É muito fácil só falar, criticar e não vir contribuir com a luta. O governo em si não se reúne conosco, só o secretário da Serin. Mas entendemos a importância deste momento entre governador e movimento sindical, é necessário, mas tem que ter abertura independente de demandas, são muitas as pautas e quem tem a caneta azul é o governador.
3- Como andam as Regionais e quais os desafios?
As regionais merecem atenção especial do Governo e da SESAB, os desafios vão desde déficit de servidores públicos concursados, a falta de estrutura adequada para os servidores trabalharem, falta de equipamentos, melhorias nos espaços, necessidade de ambiente externo bem cuidado, capinação da área de jardim e uma melhor recepção para acolhimento.

4- “Reestruturar, atualizar o poder do sindicato é fundamental”. Como a senhora vê a frase e o que deve mudar?
As mudanças precisam vir das pessoas, hoje o mundo sindical está voltando para formar políticos para o parlamento, o movimento sindicalista precisa se reinventar, trazer outras pautas para os trabalhadores, olhar o trabalhador como um sujeito integral e cuidar de todos. Portanto, não só tratar do bolso, mas também e, principalmente, do corpo e da mente, incentivar o social, a saúde, a integração e a formação.
5- Aliado às lutas, há as centrais e a federação? Qual a importância delas?
As centrais, as federações e confederações são entidades que fazem parte do processo de luta nos três níveis: município, estado e nacional. Essas entidades, cada uma delas, têm seu papel fundamental no direcionamento e na orientação na luta.
6- Planserv, afinal, quem é o culpado e como podemos lutar para melhorar um dos maiores planos de saúde do país?
Somos o estado que tem um grande plano de saúde próprio: o Planserv. Precisamos cuidar dele, não só fazer a crítica (precisamos usar a ouvidoria, denunciar quando necessário, indicar clínicas honestas e que realizam bom atendimento). Mas o governo precisa sentar com os representantes dos servidores para ouvir as dificuldades que estamos enfrentando por toda a Bahia. Falta assistência básica, principalmente no interior. No plano, somos mais de 500 mil vidas, para se ter uma noção da potência do plano.
7- O Sindsaúde Ba lançou o CUIDA, que atingiu 2500 atendimentos. Como a senhora vê esse importante resultado?
Nós do Sindsaúde Ba, em plena pandemia implantamos o PROJETO SINDSAÚDE CUIDA, com as seguintes especialidades: Fisioterapia, Nutrição e Psicologia. Digo sempre que acertamos, hoje estamos cuidando dos servidores e seus dependentes. São 2.500 pessoas atendidas, entre servidores e seus agregados ou dependentes, e isso porque ainda nem ampliamos o projeto como ele merece. Como alguém pode ser contra algo que ajuda os colegas servidores neste momento? Somar na luta pelos direitos e ajudar a não adoecermos é nosso principal objetivo. O sindicato não é só para lutar por direitos, nós precisamos cuidar de quem cuida de todos. Penso além do horizonte, para que o trabalhador se sinta amparado pelo seu sindicato de forma integral (presencial e online).
8- Rh e Jurídico. Deu bastante certo, com uma demanda assustadora, quais os próximos passos?
Jurídico e RH foram outro projeto, casados, para melhor atender aos colegas servidores. É muita demanda, mas os nossos projetos foram criados para que de fato os trabalhadores se sentissem assistidos pelo seu sindicato. Sindsaúde Ba Itinerante, vocês não têm ideia como esse projeto trouxe tranquilidade aos servidores do interior (e ainda vamos melhorar muito), eu garanto que vamos criar um rodízio anual por território e ajudar a cada colega servidor (a) pelo interior. Vamos levar mais informações, esclarecer dúvidas e ajudar nos processos de aposentadoria, o que é de fundamental importância. Estamos juntos nessa luta e vamos continuar fazendo os projetos acontecerem na defesa dos filiados. Não é gasto, é investimento na defesa dos direitos de quem é associado. Atenção: todos os servidores se filiem para que possamos melhorar ainda mais! É um compromisso que temos de ajudar a todos pela Bahia, online e presencialmente.
9- Qual recado para os colegas servidores ativos e aposentados?
Os próximos passos são adquirir uma sede própria, ampliar o Sindsaúde Cuida, melhorar os convênios, levar o Sindsaúde Ba Itinerante por todo território com datas anuais, um sistema online melhor e mais completo, entre outras melhorias. Já temos experiências em outros sindicatos com projetos similares e que são sucesso. Sei que muitos não concordam, mas os colegas servidores que moram no interior sabem das suas dificuldades ao virem à capital para realizar atendimentos médicos, ou resolver pendências na SESAB. Vamos juntos lutar para fazer isso acontecer, ampliar a participação dos associados e somar na defesa dos nossos direitos, ativos e aposentados. PENSO GRANDE E PRA FRENTE, o dinheiro do sindicato é para ser investido em projetos para vocês, servidores públicos da saúde, afinal a arrecadação vem de cada filiação e deve ser revertida para os mesmos de forma responsável, não esquecendo das lutas dos nossos direitos e fortalecimento do Planserv. Vamos juntos continuar esses projetos e conto com a participação e colaboração de vocês!
