Protesto contra privatização do Hospital Clériston Andrade
Servidores da unidade, em Feira de Santana, pararam por 24 horas na terça (28)
Com faixas, cartazes, apitos e nariz de palhaço, servidores do Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, promoveram ato público em frente à unidade, na manhã de terça-feira (28), dia de paralisação em protesto contra a política de privatização implantada pelo governo estadual. Liderados pelo Sindsaúde-Ba, Sindimed, Comissão de Mobilização Contra a Privatização do HGCA e outras entidades sindicais, os trabalhadores defenderam a manutenção da liminar concedida pelo juiz Roque Rui Barbosa de Araújo, da Vara da Fazenda Pública, em Feira de Santana, que determina a suspensão do processo de publicização do modelo de gestão do HGCA.
“Servidores do HGCA e a população de Feira de Santana acreditam na Justiça. Pela manutenção da liminar” e “Protejam o Clériston Andrade. O hospital do povo e não do patrão”. Estas eram as mensagens das faixas à frente da manifestação, que interrompeu o tráfego na movimentada Avenida do Contorno para chamar atenção da comunidade e denunciar os riscos da privatização. Apenas os atendimentos de urgência e emergência no hospital, que é referência para toda a região, foram mantidos pelos servidores.
Entre as críticas ao processo de privatização, os servidores apontam a queda no atendimento ao público, uma vez que a taxa de ocupação, pela gestão via organização social (OS), cairá de 107% para 85%. Além disso, os trabalhadores mostram-se preocupados com o vínculo trabalhista, já que o novo modelo dispensa concurso público. A categoria questiona, também, os critérios que serão utilizados para a aplicação dos recursos públicos da Saúde, pelo fato da OS que vier a assumir o hospital não ser obrigada a realizar licitações.
No entendimento do Sindsaúde-Ba, o processo de transferência das unidades de Saúde para o setor privado enfraquece o Sistema Único de Saúde (SUS) e significa abrir mão do dever constitucional de assegurar atendimento a toda a população. O sindicato contesta, também, o fato do governo estadual estar implantando o novo modelo de forma unilateral, sem discutir com o Conselho Estadual de Saúde e contrariando as diretrizes das conferências Nacional e Estadual de Saúde.
Audiência no MPE
No dia 5 de junho, quarta-feira, às 10h, a comissão de representação das entidades sindicais da Saúde terá audiência na sede do Ministério Público do Estado (MPE), no bairro de Nazaré, para discutir os processos de privatização dos hospitais Clériston Andrade, Manoel Victorino e outros da rede pública estadual

Sydnei Alves
A privatização do Hospital Geral Roberto Santos também já esta em andamento, algo tem que ser feito.