{"id":9464,"date":"2018-03-13T09:20:52","date_gmt":"2018-03-13T12:20:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindsaudeba.org.br\/novo\/?p=9464"},"modified":"2019-12-13T17:44:18","modified_gmt":"2019-12-13T20:44:18","slug":"combater-o-machismo-e-lutar-pela-vida-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindsaudeba.org.br\/portal\/blog\/combater-o-machismo-e-lutar-pela-vida-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Bahia Not\u00edcias: Combater o machismo \u00e9 lutar pela vida das mulheres"},"content":{"rendered":"<div class=\"box-title\">\npor Aladilce Souza- diretora do Sindsa\u00fade, <em>vereadora e presidente da Comiss\u00e3o da Mulher da C\u00e2mara Municipal de Salvador 13.03.2018<br \/>\n<\/em>\n<\/div>\n<div class=\"box-body\">\n<div class=\"text-descricao\">\n<a href=\"http:\/\/www.sindsaudeba.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMAGEM_ARTIGO_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-9465\" src=\"http:\/\/www.sindsaudeba.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMAGEM_ARTIGO_3.jpg\" alt=\"IMAGEM_ARTIGO_3\" width=\"280\" height=\"280\" \/><\/a>Ivonete. Helen. Josiane. Aline. L\u00edgia. Essas s\u00e3o algumas das mulheres assassinadas em 2017 na Bahia, de um total de 244. Ao menos um ter\u00e7o foram mortas pelos maridos, ex-namorados e familiares. Todas elas v\u00edtimas do machismo.<br \/>\nO simples fato de ser mulher torna qualquer uma potencial alvo de homens que consideram leg\u00edtimo matar por n\u00e3o aceitarem o t\u00e9rmino de um relacionamento ou por sentirem ci\u00fames; que acham compreens\u00edvel estuprar uma mulher que esteja com roupa curta ou dan\u00e7ando de forma sensual; que acham engra\u00e7ado, durante o carnaval, puxar o cabelo, beijar a for\u00e7a ou atirar jatos d\u00b4\u00e1gua; que se acham no direito de assediar e constranger com palavras, gestos e olhares uma mulher que passe na rua.<br \/>\nAl\u00e9m dos feminic\u00eddios, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia tamb\u00e9m registrou no ano passado \u2013 de janeiro a setembro \u2013 mais de 37 mil ocorr\u00eancias, incluindo tentativas de assassinato (304), estupros (407), les\u00f5es corporais (11.346) e amea\u00e7as (24.359).<br \/>\nPor tr\u00e1s de cada amea\u00e7a ou agress\u00e3o concretizada est\u00e1 uma \u00fanica raz\u00e3o: o machismo. Por isso, \u00e9 preciso combater a viol\u00eancia contra a mulher na ponta, mas tamb\u00e9m em sua origem cultural. \u00c9 urgente, portanto, ampliar o belo trabalho da ronda Maria da Penha e de servi\u00e7os como o Viver, estruturar melhor as delegacias da mulher, e fortalecer os coletivos e redes de prote\u00e7\u00e3o que atuam em defesa das mulheres.<br \/>\nO Judici\u00e1rio tamb\u00e9m precisa fazer sua parte, sendo mais c\u00e9lere no acompanhamento das den\u00fancias e na puni\u00e7\u00e3o aos agressores. E as prefeituras devem entender que investir em servi\u00e7os b\u00e1sicos tamb\u00e9m auxilia no combate \u00e0 viol\u00eancia, a exemplo de uma melhor ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de um sistema de transporte seguro.<br \/>\nMas enquanto n\u00e3o mudarmos radicalmente a cultura da nossa sociedade patriarcal, continuaremos enxugando gelo \u00e0s custas do sangue derramado de milhares de brasileiras. E em tempos antidemocr\u00e1ticos, de ascens\u00e3o do conservadorismo, se torna ainda mais necess\u00e1ria a afirma\u00e7\u00e3o do feminismo para combater o machismo no Brasil.<br \/>\n\u00c9 importante, por\u00e9m, desfazer uma confus\u00e3o propagada por esses grupos reacion\u00e1rios de que o feminismo prega o \u00f3dio ao homem ou de que estaria em busca de privil\u00e9gios. Ao contr\u00e1rio, a luta \u00e9 por direitos e por uma sociedade em que haja equidade na rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres. Para que o simples fato de ser mulher n\u00e3o justifique menos direitos, menores sal\u00e1rios, poucas oportunidades, baixa representatividade, restri\u00e7\u00e3o no direito de ir e vir ou de se expressar livremente. O machismo \u00e9 um modelo de domina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o sobre as mulheres, enquanto que o feminismo \u00e9 a busca por igualdade.<br \/>\nPortanto, lutar pela vida das mulheres \u00e9 combater um governo que as exclui de seus minist\u00e9rios, corta pol\u00edticas p\u00fablicas e afirma que a mulher entende de economia pois acompanha a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os no supermercado. \u00c9 condenar um deputado e presidenci\u00e1vel que diz que \u201cn\u00e3o estupraria\u201d sua colega por ela \u201cser feia\u201d. E \u00e9 quebrar todas as barreiras que impedem as mulheres de ocupar todos os espa\u00e7os.<br \/>\nSe por um lado a viol\u00eancia di\u00e1ria nos entristece, por outro \u00e9 motivador ver a resist\u00eancia feminina e o debate ganhando for\u00e7a tamb\u00e9m fora do Brasil. Acompanhamos o movimento que vem expondo os assediadores da maior ind\u00fastria de cinema no mundo, resultando numa mudan\u00e7a de comportamento em Hollywood. A mesma for\u00e7a feminina que tem sido a principal respons\u00e1vel pela resist\u00eancia armada curda na S\u00edria. O \u201cNiUnaMenos\u201d que vem mobilizando mulheres em toda a Am\u00e9rica Latina, especialmente na Argentina, e que no ano passado levou mais de 200 mil pessoas \u00e0s ruas. Al\u00e9m das redes de apoio protagonizadas pelas mulheres na Nig\u00e9ria.<br \/>\nNo Brasil, a mobiliza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia feminina segue forte, pautando o debate anti-machista em diversos espa\u00e7os: nas ruas, no cinema, nas casas legislativas, na televis\u00e3o, na Sa\u00fade, na m\u00fasica, nas redes sociais. E a certeza de que estamos incomodando \u00e9 justamente a rea\u00e7\u00e3o feroz e arrogante de partidos, grupos e pessoas que n\u00e3o aceitam perder o seu lugar de privil\u00e9gio na sociedade e apelam para o deboche ou agress\u00f5es contra a mulher.<br \/>\nSabemos o quanto \u00e9 dif\u00edcil e desigual essa luta, mas \u00e9 justamente o lutar que faz com que a sociedade se transforme e caminhe para uma mudan\u00e7a cultural. Enquanto ainda existir uma \u00fanica mulher assassinada, estuprada, agredida ou assediada por conta do machismo, ent\u00e3o o feminismo continuar\u00e1 sendo necess\u00e1rio. Por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Pela vida das mulheres.<br \/>\n<em>\u00a0<\/em><br \/>\n&nbsp;\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Aladilce Souza- diretora do Sindsa\u00fade, vereadora e presidente da Comiss\u00e3o da Mulher da C\u00e2mara Municipal de Salvador 13.03.2018 Ivonete. Helen. Josiane. Aline. L\u00edgia. 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